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About Literature / Hobbyist Joel Puga33/Male/Portugal Recent Activity
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Bruxas da Noite #2 O Bar das Fadas
No dia a seguir a ter encontrado o diário, as histórias que este continha não me saíam da cabeça.
Depois de sair do trabalho, a minha curiosidade levou-me a melhor, como habitual, e decidi visitar um lugar chamado no livro de Bar das Fadas, que não ficava muito longe do meu escritório. Segundo o que eu lera, este situava-se junto ao Arco da Porta Nova, em Braga, debaixo de uma loja que já albergara vários negócios e que era agora uma pastelaria.
À primeira vista, era semelhante a todos os outros negócios do seu tipo, com uma pequena esplanada na rua, uma vitrine cheia de bolos e outras doçarias e um balcão com uma máquina de café e outra parafernália que se encontrava em qualquer snack bar.
Entrei, sentei-me numa das mesas, entre outros três clientes, e pedi um chá e um bolo. Queria ganhar tempo para estudar o local mais atentamente e ver se havia um fundo de verdade no que lera no diári
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Literature
Witches of the Night #1 The Book
The story of how I met the Witches of the Night is long and complex. To tell it in a way that everyone understands, I must explain the world that exists parallel to ours, which most people don't know exists. As such, I will start with what, for me, was the beginning: the event that made me aware of this world.
From a young age, I have been interested in urban exploration. At the age of thirteen, I joined the Braga urban explorers group and, over the years that followed, I explored the ruins of warehouses, factories, monasteries, and many other interesting buildings. But it was only in my thirties that I dared to do a solo exploration.
It was of a house in the parish of Palmeira, on the outskirts of Braga, that I had discovered during one of the many visits to the Dona Chica Palace that the group had organized. Although I drew attention to the house, no one else showed interest in exploring it. It was a small home, with just a ground floor, and with nothing to distinguish it from those
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Literature
Brujas de la Noche #1 EL Libro
La historia de cómo conocí a las Brujas de la Noche es larga y turbulenta. Contarla de forma que todos entiendan implica explicar este mundo paralelo al nuestro, que la mayor parte de la gente no sabe que existe. Como tal, voy a empezar por lo que, para mí, fue el inicio: el evento que me dio a conocer este mundo.
Desde joven que tengo interés por la exploración urbana. A los trece años, me incorporé al grupo de Braga y, durante los años que siguieron, exploré las ruinas de solares, fábricas, monasterios y muchos otros edificios interesantes. Sin embargo, sólo cuando ya estaba cerca de mis treinta años, es que me atreví a hacer una exploración sólo.
Fue a una casa en la parroquia de Palmeira, en las afueras de Braga. Yo la había descubierto durante una de las muchas visitas al Palacio de la Dueña Chica que el grupo organizaba. A pesar que la casa me llamó la atención, más nadie mostr
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Literature
Bruxas da Noite #1 O Livro
A história de como conheci as Bruxas da Noite é longa e atribulada. Contá-la de forma a que todos entendam implica explicar o mundo paralelo ao nosso, que a maior parte das pessoas não sabe que existe. Como tal, vou começar pelo que, para mim, foi o início: o evento que me deu a conhecer esse mundo.
Desde novo que tenho interesse pela exploração urbana. Aos treze anos, juntei-me ao grupo de Braga e, durante os anos que se seguiram, explorei as ruínas de solares, fábricas, mosteiros e muitos outros edifícios interessantes. Porém, só quando já estava na casa dos trinta é que me atrevi a fazer uma exploração sozinho.
Foi a uma casa na freguesia de Palmeira, nos arredores de Braga, que eu havia descoberto durante uma das muitas visitas ao Palácio da Dona Chica que o grupo organizara. Apesar de eu ter chamado atenção para ela, mais ninguém mostrou interesse em explorá-la. Era uma ca
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Strange Ruins in Northern Portugal :iconshadowphoenixpt:shadowphoenixpt 6 2

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In The Verdant Valley :icontacosauceninja:TacoSauceNinja 194 3 I Wonder Who I Am :icontacosauceninja:TacoSauceNinja 189 15 Tigerrine :icontrungtinart:trungtinart 703 34 Skaven :iconbaklaher:baklaher 566 27 Nurgle :iconbaklaher:baklaher 361 26 The Wall :iconallisonchinart:allisonchinart 101 6 Battling The Outcast King :iconallisonchinart:allisonchinart 59 5 The Council of Thirteen :iconbaklaher:baklaher 742 68 Shadow Monster-Evolution- :iconantilous:antilous 775 29 Nathaneel Town Square :iconallisonchinart:allisonchinart 79 2 The one who greeted the death as an old friend :iconombobon:ombobon 388 38 The Moon and the Nightshade :iconerikshoemaker:ErikShoemaker 770 140 Asbeel, Angel of Ruin :iconpetemohrbacher:PeteMohrbacher 6,016 115 Titan of Braavos :iconzippo514:zippo514 9,038 523 Fire deer :iconelenadudina:ElenaDudina 2,290 212 CastleWorld 7 - Shift :iconchriscold:ChrisCold 605 19

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Joel Puga
Artist | Hobbyist | Literature
Portugal
Joel Puga was born in the Portuguese city of Viana do Castelo. From a very early age, he showed a propensity for writing, creating stories that he shared with family and friends. Later, he saw his tales published in several Portuguese fanzines and anthologies. He recently decided to pursue self-publishing, seduced by the freedom that it gives him.

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Joel Puga nasceu na cidade portuguesa de Viana do Castelo. Desde muito cedo, mostrou apetência para a escrita, criando histórias que partilhava com a família e os amigos. Mais tarde, viu contos seus serem publicados em diversas fanzines e antologias portuguesas. Recentemente, decidiu enveredar pela autopublicação, seduzido pela liberdade que esta lhe proporciona.

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Joel Puga nació en la ciudad portuguesa de Viana do Castelo. Desde muy temprano mostró gusto por la escrita, creando historias que compartía con su familia y amigos. Más tarde, vio sus cuentos publicados en diversos fanzines y antologías portuguesas. Recientemente, decidió auto-publicar sus historias, seducido por la libertad que esto le proporciona.

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Patreon - www.patreon.com/joelpugaes

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No dia a seguir a ter encontrado o diário, as histórias que este continha não me saíam da cabeça.

Depois de sair do trabalho, a minha curiosidade levou-me a melhor, como habitual, e decidi visitar um lugar chamado no livro de Bar das Fadas, que não ficava muito longe do meu escritório. Segundo o que eu lera, este situava-se junto ao Arco da Porta Nova, em Braga, debaixo de uma loja que já albergara vários negócios e que era agora uma pastelaria.

À primeira vista, era semelhante a todos os outros negócios do seu tipo, com uma pequena esplanada na rua, uma vitrine cheia de bolos e outras doçarias e um balcão com uma máquina de café e outra parafernália que se encontrava em qualquer snack bar.

Entrei, sentei-me numa das mesas, entre outros três clientes, e pedi um chá e um bolo. Queria ganhar tempo para estudar o local mais atentamente e ver se havia um fundo de verdade no que lera no diário. De facto, a porta que supostamente dava acesso ao Bar das Fadas estava no sítio esperado, mas podia ter sido apenas uma coincidência ou inspiração.

Durante o tempo que estive ali sentado, não aconteceu nada de extraordinário. Pareceu-me, em tudo, uma pastelaria normal. Por fim, impaciente, paguei e dirigi-me à casa de banho, que ficava pouco depois da porta misteriosa. Porém, ao passar junto desta, ignorei a placa vermelha que dizia "Acesso Restrito" e abri-a. Do outro lado, encontrei uma escadaria que descia até se perder na escuridão.

Não entrei de imediato. Estava à espera que alguém me chamasse à atenção, que me dissesse que não podia estar ali. Contudo, ninguém o fez, e comecei a descer.

Uns dez degraus depois, a porta fechou-se atrás de mim, deixando-me às escuras. Não tinha planeado aquela visita, pelo que não tinha comigo a minha fiel lanterna. Tive de recorrer à do telemóvel.

Desci durante o que me pareceram longos minutos. Finalmente, cheguei ao fundo, onde encontrei uma segunda porta. Esta em pouco diferia da primeira. Até tinha uma placa vermelha a dizer "Acesso Restrito". Mais uma vez, ignorei-a e abri a porta. Esse instante foi o mais importante de toda a minha vida. Na altura não o sabia, mas o meu mundo, o meu universo, nunca mais seria o mesmo, pois foi então que percebi que tudo o que estava no caderno que havia encontrado era verdade.

Do outro lado da porta, havia um bar, como tinha lido. A decoração era moderna, com cadeiras e mesas de metal e vidro e paredes brancas, lisas e limpas. Contudo, era aí que terminavam as semelhanças com os bares da superfície.

A sua clientela era formada por estranhos seres, alguns dos quais nem nos meus sonhos mais estranhos havia imaginado.

Muitos eram humanoides, embora os mais baixos nem me chegassem aos joelhos e os mais altos tivessem o dobro da minha altura, com tons de pele que variavam do branco mais alvo ao negro mais escuro, passando pelo cinzento e o roxo. Garras, chifres e espigões também eram comuns.

Depois havia aqueles que eram quase impossíveis de descrever. Massas de tentáculos com um pequeno corpo esférico entre eles; misturas de diversos animais; corpos longos com múltiplas pernas.
Em grupos, os clientes conversavam e consumiam o conteúdo de copos em forma de lágrima, que consistia, exclusivamente, num líquido límpido como a água.

O nome Bar das Fadas devia ter sido um nome criado pelo autor do diário, pois a maioria daquelas criaturas não se adaptava à imagem popular das fadas (embora houvesse ali alguns seres humanoides diminutos com asas de inseto).

Pelo que havia lido, o meu predecessor não ficara muito tempo no bar nem tentara conversar com os clientes. A minha curiosidade, porém, era mais forte do que a dele.

A medo, atravessei o bar até ao balcão. Como o resto da mobília, este era feito de metal e vidro, porém, atrás dele, não haviam prateleiras com filas de garrafas, como estava habituado a ver. De facto, a bebida parecia ter uma só origem: do teto, jorrava um fio de água que caía numa conduta de pedra, sobre o balcão, e a levava até junto do empregado.

Sentei-me num banco alto e olhei de novo em volta. Ninguém parecia ter reparado em mim, ou, pelo menos, não me deram importância.

O empregado pousou um copo à minha frente, cheio da estranha água. Não disse nada, nem sequer perguntou o que eu queria. Não que houvesse grande escolha.

Embora fosse uma criatura intimidante, com pequenos chifres que lhe coroavam a cabeça e incisivos que não lhe cabiam totalmente na boca, tentei meter conversa:

- Isto costuma estar sempre assim tão cheio?

Não me respondeu. Simplesmente virou costas e foi servir outro cliente.

- O Miguel não é muito falador - disse uma voz feminina ao meu lado.

Virei-me e vi uma mulher muito pálida, com cabelos brancos e várias argolas prateadas nas orelhas e na cara. Tinha um pescoço longo, com o dobro ou o triplo do tamanho do de um humano, decorado com um torque de ouro. Os seu olhos eram grandes e felinos, mas possuía um nariz pequeno e discreto.

- Miguel? - perguntei. - É assim que ele se chama?

- Que esperavas? - respondeu ela. - Gorash ou um desses nomes ridículos que vocês dão aos das nossas raças nas vossas histórias?

Confesso que não sabia o que responder. Senti-me, até, um pouco envergonhado. Felizmente, ela mudou de assunto.

- Não se veem muitos da tua raça por aqui.

-Não sabia. É a primeira vez que aqui venho.

Ela pousou uma mão no meu antebraço.

- Sabes, sempre senti curiosidade pela tua raça.

- E eu tenho curiosidade nas vossas.

- Posso responder a qualquer pergunta que tenhas - ronronou-me ao ouvido.

As intenções dela eram claras, contudo, não conseguia deixar escapar aquela oportunidade para começar perceber aquele mundo que eu acabara de descobrir.

- Chamo-me Alice, já agora.

Disse-lhe o meu nome.

- Acho curioso que ninguém tenha estranhado a minha presença, se não aparecem muitos da minha raça por aqui.

Ela sorriu.

- Não aparecem muitos, mas aparecem alguns. Pelo menos, nós vemos mais de vocês, do que vocês de nós.

- Por quê? Qual é a razão para vocês se esconderem de nós? Porque não vivem abertamente connosco?

- Para ser honesta, não faço ideia. Acho que é uma coisa cultural. Sempre nos mantivemos afastados dos humanos. E aquela vossa Organização também não ajuda.

- Organização?

- Sim. Sempre que um de nós aparece no vosso mundo, por acidente ou não, ou sempre que um humano que nos conhece tenta revelar a nossa existência, a Organização aparece para ocultar e encobrir tudo. Juro que, às vezes, parece que eles têm mais medo que os humanos descubram a nossa existência do que nós.

Foi uma revelação curiosa. Havia uma organização dedicada a evitar que o público em geral tomasse conhecimento daquele mundo que eu acabara de descobrir. Contudo, a sua existência revelava que havia mais intersecções entre os dois mundos e mais humanos a saberem destas criaturas do que eu, a princípio, imaginara.

- Não bebes? - perguntou-me ela, apontando para o copo cheio da estranha água à minha frente.

Com a conversa, tinha-me esquecido completamente da minha bebida. A medo, bebi um gole. Não me pareceu particularmente boa. Sabia a água, mais leve do que estava habituado a beber, mas, ainda assim, água. Temendo que me estivesse a escapar algo, bebi o resto do copo, mas o sabor continuava o mesmo, e não senti nenhum efeito adicional.

Alice notou o meu desapontamento.

- Acho que tens de ser um de nós para sentir o efeito da água. Vem de uma fonte muito antiga, com propriedades especiais. Um gole basta-nos para nos sentirmos mais calmos e desinibidos. É por isso que me podes encontrar aqui todos os dias. Se quiseres.

Mais uma vez, tocou-me no braço.

- E se fôssemos para um sítio mais privado esclarecer as minhas curiosidades sobre a tua raça? Não moro muito longe.

Confesso que me senti tentado, mas não pelas razões mais óbvias. Queria saber mais sobre aqueles seres e a sociedade em que viviam. Além disso, durante a conversa, tinha reparado em várias outras portas além daquela por onde entrara, e cada uma parecia dar acesso a um túnel. Devia ser neles que aquelas criaturas viviam, e o explorador urbano em mim queria desesperadamente explorá-los.

Contudo, tinha de pensar que era um homem casado e com uma filha. Era melhor não me pôr no caminho da tentação. Além disso, já tinha descoberto tanto naquele dia que não sabia se aguentava mais emoções. Deixar os meus sentimentos quanto à descoberta daquele mundo assentarem e depois voltar pareceu-me melhor ideia. Afinal, o simples facto de eu estar ali rodeado por seres que não deviam existir era suficiente para me fazer questionar tudo o que acreditava e sabia sobre o Mundo e a vida.

Para surpresa de Alice, desculpei-me que se estava a fazer tarde e que tinha a minha mulher à espera. A princípio, insistiu para que fosse com ela, mas acabou por me deixar ir. Voltei para a pastelaria à superfície e para as ruas de Braga.

Não fui imediatamente para casa. Estava demasiado entusiasmado com o que acabara de descobrir. Durante mais de uma hora, deambulei pela cidade pensando naquele novo mundo, em todas as questões que a sua existência levantava e em futuras explorações a outros sítios mencionados no caderno. Hoje, lamento não me ter conseguido controlar, não ter simplesmente esquecido o que havia visto e continuado com a minha vida normal.
The story of how I met the Witches of the Night is long and complex. To tell it in a way that everyone understands, I must explain the world that exists parallel to ours, which most people don't know exists. As such, I will start with what, for me, was the beginning: the event that made me aware of this world.

From a young age, I have been interested in urban exploration. At the age of thirteen, I joined the Braga urban explorers group and, over the years that followed, I explored the ruins of warehouses, factories, monasteries, and many other interesting buildings. But it was only in my thirties that I dared to do a solo exploration.

It was of a house in the parish of Palmeira, on the outskirts of Braga, that I had discovered during one of the many visits to the Dona Chica Palace that the group had organized. Although I drew attention to the house, no one else showed interest in exploring it. It was a small home, with just a ground floor, and with nothing to distinguish it from those that surrounded it. But something about it drew my interest. Perhaps because it reminded me of my great-grandmother's house, or because it was old enough to contain artifacts of the life of yore, not found in any modern house.

Whatever the reason, on a morose Sunday afternoon, when my wife went to visit her parents with our daughter, I drove to the old house. Taking care that the neighbors did not see me, I entered through a window whose glass and shutters had been broken by vandals.

On the other side, I found what was to be expected: a room full of broken glass, syringes and destroyed furniture. Anything of value had long been plundered. Still, I didn't give up. Carefully, fearing to find some squatter, I continued exploring the house.

I entered the corridor, which gave access to two more rooms. Passing over the remains of broken doors, I entered the bedroom, which didn't look any better than the living room. In the window, agitated by the wind, danced the remaining rags of crochet curtains. Clothes, from black dresses to felt hats, covered almost all the floor, clearly torn from the rotting closet and discarded for being worthless. Oddly enough, and despite the interest that antiquaries nowadays have in such furniture, an iron bed, with its white paint almost entirely replaced by rust, was still in the room, but upside down and tossed into a corner. The mattress had been removed and laid flat against the wall. It was covered in red, yellow, and white stains, and a shiver went up my spine as I thought of all that could have happened on it.

Then I went into the last room, the kitchen. The floor was littered with smashed crockery, and the cabinets were broken into and emptied. Everything else had been taken away.

Discouraged, I prepared to go back home. Unfortunately, there was nothing of interest in that house. The other urban explorers were right.

I was about to leave the kitchen when a metallic glow in the tiny pantry caught my eye. There, between broken shelves and nauseous remnants of rotten food, I found a door. The glow belonged to a primitive latch, which I opened immediately. On the other side, I found a stone staircase that descended into darkness. As I did when I explored a structure, I had a flashlight with me. Its light revealed a basement at the bottom of the stairs, apparently untouched by the vandals. Maybe the lack of daylight in there had kept them away.

Step by step, since I didn't know what awaited for me down there nor how robust were the stairs, I descended. At the bottom, I found a veritable time capsule from mid-century Portugal.

In one corner, I saw an old manual sewing machine, still with the cast iron pedal and the belt that transmitted the movement to the needle. In a table next to it, there was a charcoal iron. I could almost see smoke coming out of his little chimney.

On the other side of the basement, next to a rotting fabric sofa, I found a cabinet containing a tube radio, its yellowish plastic testament of its antiquity.

On top of all surfaces, there were testimonies of past times: oil lamps, slabs of slate, jars of ink, ink pens, etc. However, my gaze fell mainly on a wooden chest that lay on the floor beside the stairs. Curious, I opened it. It wasn't locked. Inside, I found albums with photographs, some of them certainly more than a hundred years old. It was sad to see those pictures of lively groups, couples dancing and dinner parties and thinking that most, if not all, of those people were gone.

Among the albums, however, I found a small notebook. I opened it and found that it was a diary. Normally, I never take anything from the places I explore, nor do I think that any urban explorer should do it, but having an account of the life of yesteryear was too tempting, and my curiosity got the better of me, as usual.

I left the house with the book in my pocket. I wanted to read it right there in the car, but dinner time was approaching.

When I got home, I put the book down and went to prepare the meal with the rest of my family. Despite being somewhat curious about its content, I dined calmly and even helped my daughter with her homework.

At last, I sat down at my desk and started reading. The stories in the diary were, in fact, interesting, fantastic, even, but in a way I didn't expect. They mentioned hidden places in cities, mountains, and even the sea, and encounters with fairies, vampires, witches, goblins and innumerable other mythological and imaginary beings.

Was it a work of fiction, or the reverie of a madman? At the time, I couldn't consider another hypothesis. But I also couldn't stop reading, because many of the stories were in or near places I knew.

When I finally went to bed, it was almost two in the morning, and I only did it because I had to work the next day. Still, with much effort, I was able to push the book away from my mind long enough to fall asleep.
La historia de cómo conocí a las Brujas de la Noche es larga y turbulenta. Contarla de forma que todos entiendan implica explicar este mundo paralelo al nuestro, que la mayor parte de la gente no sabe que existe. Como tal, voy a empezar por lo que, para mí, fue el inicio: el evento que me dio a conocer este mundo.

Desde joven que tengo interés por la exploración urbana. A los trece años, me incorporé al grupo de Braga y, durante los años que siguieron, exploré las ruinas de solares, fábricas, monasterios y muchos otros edificios interesantes. Sin embargo, sólo cuando ya estaba cerca de mis treinta años, es que me atreví a hacer una exploración sólo.

Fue a una casa en la parroquia de Palmeira, en las afueras de Braga. Yo la había descubierto durante una de las muchas visitas al Palacio de la Dueña Chica que el grupo organizaba. A pesar que la casa me llamó la atención, más nadie mostró interés en la explorar. Era una casa pequeña, sólo con planta baja, y con nada que la distinga de las que la rodeaban. Pero algo en ella me llamaba. Tal vez porque me recordaba a la casa de mi bisabuela, o porque era antigua y sabía que podía contener testimonios de la vida de antaño, que no se encuentran en ninguna casa moderna.

Así, en una tarde de domingo lloviznosa, cuando mi mujer había ido a visitar a sus padres con nuestra hija, conducí hasta la vieja casa. Tomando cuidado para que los vecinos no me vieran, entré por una ventana cuyos vidrios y persianas habían sido vandalizados.

Del otro lado, encontré lo que era de esperar: una sala llena de vidrios rotos, jeringas y muebles destruidos. Todo lo que tuviera algún valor, ya había sido saqueado hace mucho. Aún así, no me rendí. Con cuidado, temiendo encontrar a alguna persona no recomendable, comencé a explorar la casa.

Entré en el pasillo, que daba acceso a dos divisiones más. Pasando por encima de los restos rotos de puertas, entré en la habitación, donde el escenario no era mejor que en la sala. En la ventana, agitados por el viento, bailaban los trapos que habían quedado de unas cortinas de ganchillo. Montones de ropa cubrían casi todo el suelo, de vestidos negros a sombreros de fieltro, claramente sacados del armario putrefacto y descartados por no tener ningún valor. Curiosamente, y a pesar del interés que los historiadores suelen tener en tales piezas, una cama de hierro, cuya pintura blanca ya había sido casi completamente reemplazada por roya, aún se encontraba en la división, pero boca abajo y arrojada a un rincón. El colchón había sido retirado y puesto en el suelo, apoyado en la pared. Estaba cubierto de manchas rojas, amarillas y blancas; sentí un escalofrío al pensar en todo lo que podía haber allí sucedido.

Me dirigí, entonces, a la división que quedaba: la cocina. El suelo estaba cubierto de vajilla rota, y los armarios, abiertos y vacíos. Todo lo demás, se lo habían llevado.

Desanimado, me preparé para volver a casa. Allí no había nada de interés. Los otros del grupo de exploradores urbanos tenían razón.

Iba a dejar la cocina, cuando un brillo metálico llamó mi atención hacia la pequeña despensa. Allí, por entre los estantes partidos y restos nauseabundos de comida podrida, encontré una puerta. El brillo pertenecía a una primitiva de cerradura de gatillo. La abrí inmediatamente. Del otro lado, encontré una escalera de piedra que descendía hacia la oscuridad. Como era mi costumbre cuando exploraba una estructura, me había llevado una linterna. La luz reveló un sótano en el fondo de las escaleras que, al parecer, no había sido visitado por los vándalos. Tal vez la falta de luz natural los mantuvo alejados.

Peldaño a peldaño, ya que no sabía lo que me esperaba y no tenía certezas en cuanto a la robustez de las escaleras, bajé. En el fondo, me encontré con una verdadera cápsula del tiempo del Portugal de mediados del siglo pasado.

En una esquina, vi a una antigua máquina de coser manual, aún con el pedal y la correa que transmitía el movimiento hasta la aguja. En una mesa justo al lado, descansaba una plancha a carbón. Casi podía ver el humo saliendo de su pequeña chimenea.

En el otro lado del sótano, junto a un sofá de tela podrido, encontré un armario que contenía un radio de válvulas, su carcasa amarillenta testamento de su antigüedad.

Encima de todas las superficies, había testimonios de tiempos pasados: lámparas de petróleo, losas de pizarra, frascos de tinta, etc. Sin embargo, mi mirada recayó principalmente en un cofre de madera agusanada, posado en el suelo al lado de las escaleras. Curioso, lo abrí. No estaba cerrado. Dentro, encontré álbumes con fotografías, algunas de más de cien años. Era triste ver esas fotos de grupos animados, de parejas bailando, de fiestas y pensar que la mayoría de esas personas, si no todas, ya habían partido.

En medio de los álbumes, sin embargo, encontré un pequeño cuaderno. Lo abrí y descubrí que se trataba de un diario. Normalmente, nunca retiro nada de los lugares que exploro, ni creo que algún explorador urbano lo debería hacer, pero tener en las manos el relato de una vida de los tiempos de antaño era demasiado tentador, y mi curiosidad ganó la batalla, como siempre.

Salí de la casa con el libro en el bolsillo. Quería leerlo justo allí en el coche, pero la hora de la cena se acercaba.

Cuando llegué a casa, dejé el libro y me fui a preparar la comida con el resto de mi familia. A pesar de sentirme curioso acerca de su contenido, cené con calma y ayudé a mi hija con los trabajos de casa.

Entonces, me senté al escritorio y empecé a leer. Las historias en el diario eran, de hecho, interesantes, hasta fantásticas, pero de una manera que no había esperado. Mencionaban lugares ocultos en las ciudades, montañas y hasta en el fondo del mar, y encuentros con hadas, vampiros, brujas, duendes y otros seres mitológicos e imaginarios.

¿Sería aquello una obra de ficción, o los desvaríos de un loco? En ese momento, no podía considerar otra opción. Sin embargo, también no podía dejar de leer, porque muchas de las historias se situaban en, o cerca, de sitios que conocía.

Cuando por fin me fui a la cama, ya eran casi las dos de la mañana, y sólo me acosté porque tenía que trabajar al día siguiente. Aún así, con mucho esfuerzo conseguí alejar el libro de mi mente el tiempo suficiente para dormir.
A história de como conheci as Bruxas da Noite é longa e atribulada. Contá-la de forma a que todos entendam implica explicar o mundo paralelo ao nosso, que a maior parte das pessoas não sabe que existe. Como tal, vou começar pelo que, para mim, foi o início: o evento que me deu a conhecer esse mundo.
Desde novo que tenho interesse pela exploração urbana. Aos treze anos, juntei-me ao grupo de Braga e, durante os anos que se seguiram, explorei as ruínas de solares, fábricas, mosteiros e muitos outros edifícios interessantes. Porém, só quando já estava na casa dos trinta é que me atrevi a fazer uma exploração sozinho.

Foi a uma casa na freguesia de Palmeira, nos arredores de Braga, que eu havia descoberto durante uma das muitas visitas ao Palácio da Dona Chica que o grupo organizara. Apesar de eu ter chamado atenção para ela, mais ninguém mostrou interesse em explorá-la. Era uma casa pequena, só com rés-do-chão, e com nada que a distinguisse daquelas que a rodeavam. Mas algo nela me chamava. Talvez por me fazer lembrar da casa da minha bisavó, ou porque era antiga que chegue para conter testemunhos da vida de outrora, que não se encontram em nenhuma casa moderna.

Fosse porque fosse, numa tarde de domingo morrinhosa, quando a minha mulher foi visitar os pais com a nossa filha, conduzi até à velha casa. Tendo cuidado para os vizinhos não me verem, entrei por uma janela cujos vidros e persiana haviam sido partidos por vândalos.

Do outro lado, encontrei o que seria de esperar: uma sala cheia de vidros partidos, seringas e mobília destruída. Tudo o que teria algum valor, já havia há muito sido saqueado. Ainda assim, não me detive. Cuidadosamente, temendo encontrar alguma pessoa menos recomendável, continuei a explorar a casa.
Entrei no corredor, que dava acesso a mais duas divisões. Passando por cima dos restos partidos de portas, entrei no quarto, onde o cenário não era muito melhor do que na sala. Na janela, agitados pelo vento, dançavam os farrapos que restavam de umas cortinas em croché. Roupa cobria quase todo o chão, de vestidos negros a chapéus de feltro, claramente arrancada do armário apodrecido e descartada por não ter qualquer valor. Curiosamente, e apesar do interesse que os antiquários costumam ter em tais peças, uma cama de ferro, cuja pintura branca já tinha sido quase inteiramente substituída por ferrugem, ainda se encontrava na divisão, mas virada e atirada para um canto. O colchão havia sido retirado e posto no chão, encostado à parede. Estava coberto de manchas vermelhas, amarelas e brancas, e senti um arrepio ao pensar em tudo o que podia ter ali acontecido.

Passei, então, para a divisão que restava, a cozinha. O chão estava pejado de loiça partida, e os armários, escancarados e vazios. Tudo o resto havia sido levado.
Desanimado, preparei-me para voltar para casa. Infelizmente, não havia ali nada de interesse. Os outros do grupo de exploradores urbanos tinham razão.

Ia deixar a cozinha, quando um brilho metálico chamou a minha atenção para a diminuta dispensa. Lá, por entre prateleiras partidas e restos nauseabundos de comida apodrecida, encontrei uma porta. O brilho pertencia a uma primitiva fechadura de trinco, que abri imediatamente. Do outro lado, encontrei uma escadaria de pedra que descia para a escuridão. Como era meu hábito quando explorava uma estrutura, tinha levado uma lanterna comigo. A sua luz revelou uma cave no fundo das escadas, aparentemente intocada pelos vândalos. Talvez a falta de luz natural os tivesse mantido afastados.

Degrau a degrau, pois não sabia o que me esperava nem tinha certezas quanto à robustez das escadas, desci. No fundo, encontrei uma verdadeira cápsula do tempo do Portugal do meio do século passado.
Num canto, vi uma antiga máquina de costura manual, ainda com o pedal e a correia que transmitia o movimento até à agulha. Numa mesa mesmo ao lado, ainda repousava um ferro de engomar a carvão. Quase que ainda conseguia ver o fumo a sair da sua pequena chaminé.

No outro lado da cave, junto a um sofá de tecido apodrecido e esburacado, encontrei um armário contendo um rádio de válvulas, o plástico amarelado testamento da sua antiguidade.

Em cima de todas as superfícies, havia testemunhos de tempos passados: candeeiros de petróleo, lajes de lousa, frascos de tinta, canetas de embeber, etc. Contudo, o meu olhar recaiu principalmente num baú de madeira bichada pousado no chão ao lado das escadas. Curioso, abri-o. Não estava trancado. Lá dentro, encontrei álbuns com fotografias, algumas certamente com mais de cem anos. Era triste ver aquelas fotos de grupos animados, de casais a dançar, de jantaradas e pensar que a maioria daquelas pessoas, se não todas, já haviam partido.

No meio dos álbuns, contudo, encontrei um pequeno caderno. Abri-o e verifiquei que se tratava de um diário. Normalmente, nunca tiro nada dos lugares que exploro, nem acho que algum explorador urbano o devia fazer, mas ter nas mãos o relato de uma vida nos tempos de outrora era demasiado tentador, e a minha curiosidade levou-me a melhor, como sempre.
Saí da casa com o livro no bolso. A minha vontade era lê-lo logo ali no carro, mas a hora de jantar aproximava-se.

Quando cheguei a casa, pousei o livro e fui preparar a refeição com o resto da família. Apesar de estar algo curioso sobre o seu conteúdo, jantei com calma e ainda ajudei a minha filha com os trabalhos de casa.

Então, sentei-me à secretária e comecei a ler. As histórias no diário eram, de facto, interessantes, fantásticas, até, mas de uma forma que nunca esperara. Mencionavam lugares escondidos em cidades, montanhas e até no fundo do mar, e encontros com fadas, vampiros, bruxas, trasgos e inúmeros outros seres mitológicos e imaginários.

Seria aquilo uma obra de ficção, ou os devaneios de um louco? Na altura, não conseguia considerar outra hipótese. Contudo, também não conseguia parar de ler, até porque muitas das histórias se passavam em, ou perto, de sítios que conhecia.

Quando finalmente fui para a cama, já eram quase duas da manhã, e só me deitei porque tinha de trabalhar no dia seguinte. Ainda assim, só com muito esforço consegui afastar o livro da minha mente por tempo suficiente para adormecer.

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:iconchateaugrief:
chateaugrief Featured By Owner Feb 6, 2017  Professional Digital Artist
Thanks for the llama!
Bridalveil Fall by chateaugrief
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:iconexobiology:
exobiology Featured By Owner Feb 5, 2017  Hobbyist Digital Artist
Thank you for the llama golden 1 by EXOstock    Owl mystery by exobiology
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:iconshadowphoenixpt:
shadowphoenixpt Featured By Owner Feb 6, 2017  Hobbyist Writer
:)
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:iconexobiology:
exobiology Featured By Owner Feb 6, 2017  Hobbyist Digital Artist
Heart 
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:iconmaria-schreuders:
Maria-Schreuders Featured By Owner Jan 30, 2017  Hobbyist Photographer
Thank you so much for taking the time to fave and comment on my photo  :+fav: :heart:  I really appreciate this
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:iconjoran-belar:
Joran-Belar Featured By Owner Jan 24, 2017  Hobbyist General Artist
Thanks for the fav on

The Battle of Narendra III by Joran-Belar

Greez
J.J.
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